Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Perdas e Danos

Tenho pensado muito nas perdas que temos ao longo da vida. Talvez porque venho percebendo algumas coisas escorregarem pelas minhas mãos sem que eu possa evitar. Certas situações são assim mesmo.. elas simplesmente passam por nossa existência, sem qualquer pretensão de ficar. E temos que deixá-las ir, como percurso natural da vida. É bobagem tentar segurá-las.
Perder é uma palavra muito forte, que já vem carregada de tristeza. Por menor que seja a perda. Se você deixa cair um brinco e não percebe, fica chateada. Se empresta uma roupa para uma amiga que não devolve mais, nunca esquece. Se alguém te rouba algo de valor, fica arrasada. Mesmo que a gente compre algo parecido, nunca é o mesmo. E quando o que perdemos não pode ter o preço calculado, como uma amizade, alguém especial, um amor? Assim como o que se vai, a dor é incalculável.
Não é só a morte que leva as pessoas que amamos. A vida também. Nesse caso, a perda é chamada de separação. Quando um relacionamento acaba, perdemos entre outras coisas, a esperança, a auto-confiança, o amor, uma rotina já estabelecida. E ganhamos a dor, a saudade, a sensação de fracasso. Só que junto temos a chance de uma nova vida, de recomeçar de forma diferente, mais madura, com mais bagagem.
Se uma relação acaba é porque algo estava errado, não era pra ser. Diferente do ladrão que rouba sua carteira de maneira covarde, leva algo que era necessário, essencial, a vida encontrou nesse ato uma forma de lhe tirar o que não serve mais. Claro que você não percebe, discorda no início. Mas além de não ter serventia, aquilo muitas vezes está lhe trazendo sofrimento. Então ela chega de mansinho e vai varrendo, limpando isso da sua vida. Já pensou que até perder, quantos danos isso já pode ter causado dentro de você? Quantas rachaduras, feridas e cicatrizes?
Outro dia, sentada numa mesa de bar, esperando alguém, escrevi o seguinte texto: “Tentar segurar o que quer ir embora é bobagem. Por mais que doa, pior é evitar. Cada um tem uma função na sua vida. E depois que cumprem, precisam partir. Besteira é tentar impedir a partida. Não há nada pior que alguém estar ao seu lado por dó ou gratidão. A única coisa que segura alguém realmente é o amor. Se isso não existe, evitar a partida é adiar o sofrimento. Mas como perceber se existe o amor? Acredite! Nas pequenas atitudes. E não como se pensa, em grandes declarações. Esse sentimento tão sublime está em cada pequeno gesto do dia a dia. Seja ao te chamar de linda, ao dizer que não vive sem você, ao passar a mão no seu rosto de maneira carinhosa... mulher sente quando é verdadeiro. A intuição feminina nunca nos engana. Acredite nela! Mas quando isso acaba, percebemos também. E pra que lutar contra? Feliz quem percebe logo e não tem tempo para fazer papel de boba. Nada mais especial que respeitar o limite do outro. Ninguém é obrigado a amar. Esse sentimento acontece... sem obrigações ou ordens. Simplesmente surge. Sem explicações ou longe de qualquer entendimento. Nem sempre amamos quem gostaríamos de amar. Como uma flor brota, o amor nasce. Sem a gente se dar conta, sem a gente autorizar ou sequer perceber. Por isso, ame enquanto pode, enquanto a vida lhe permite. Porque um dia ele se vai e você fica com a sensação de não ter amado o suficiente.”
Mas cuidado com isso. É muito comum agarrarmos a culpa quando uma relação acaba. Encare que quando não é pra ser, o destino desvia. E agradeça. Além disso, esta é a vantagem de quem ama sem cuidados, se entrega de verdade: a certeza de que fez de tudo, deu o melhor de si para que desse certo. Se não foi dessa vez, não era pra ser. E essa leveza não tem preço.
Ao acreditar que está perdendo alguém ou alguma coisa, analise cuidadosamente antes de sofrer a partida. Porque a gente nunca perde o que nunca teve. E se não teve, pra que chorar por algo que nunca existiu?